Abdalla Neto consultoria e workshop
 
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A alegoria da caverna
(A República - Platão)



Quando deparamos com nossa caverna interior, percebemos que há muito para ser revisto e libertado (soltar as correntes do pragmatismo e dos paradigmas).
Necessário se faz esse enfrentamento, para que possamos peneirar conceitos e pré-conceitos, estereotipados no decorrer do tempo, através de um processo pedagógico que nos impulsiona para mais fundo da caverna, em vez da porta de saída.
Ficamos presos atrás do muro observando o mundo pelas sombras que desfilam a nossa frente, tentando traduzi-las como verdades absolutas.

“ É sem dúvida o mais conhecido e comentado dos mitos platônicos pelo seu alcance psicológico, político e por formar parte de sua extensa exposição sobre a Teoria do Conhecimento, via que conduz os filósofos a ultrapassar os limites do mundo sensível, rompendo as cadeias de ilusão, e enfrentando diretamente a origem da luz, as idéias puras, mediante cuja contemplação o homem se torna definitivamente parente dos deuses.”1

Precisamos nos dar uma chance, ou seja, soltar as correntes que nos prendem aos velhos paradigmas, e conhecer o mundo que há além da porta da caverna. A luz no início irá nos cegar, temos que ter em mente que essa cegueira metafórica é momentânea, com o decorrer do aprendizado a cena se tornará bastante clara, daí então teremos plena consciência dos atores que antes se apresentavam como sombras, hoje se apresentam na sua plenitude.
É o momento da perda do deslumbramento (cegueira provocada pela luz), tomaremos consciência da importância do nosso papel também como atores co-participe desse grande teatro, não mais como “espectadores das sombras”.
Essa tomada de consciência quanto mais cedo ocorrer, melhor para o desenvolvimento do indivíduo. Daí a necessidade de não esperarmos mais, pois é necessária a nossa participação, até porque não fomos criados para ficarmos amarrados atrás no fundo da caverna ou atrás do muro para decifrar sombras, mas sim para conhecer a luz.

“Não é casual nenhuma das referências feitas por Platão, nem sobra detalhe algum aonde se detenha, quer seja para descrever as sombras, as cadeias ou os objetos que são levados sobre o muro e que se projetam no fundo.”2

Precisamos nos dar essa chance, se por ventura após a saída da caverna optarmos pelo retorno as sombras, é um problema nosso, mas pelo menos tivemos a chance de saber o que há além daquela boca de rocha.
Durante muito tempo passamos construindo nossas próprias cavernas, é essa
Reflexão proposta por Platão, até porque é muito cômodo ficar sentado no fundo da caverna e atrás de algum muro, onde possamos nos defender do mundo externo sem nos compromissarmos com ele. Pois um compromisso requer que tenhamos que cumprir nossa parte no trato, e ai, fugimos, nos introjetamos.
Evidente que essa é uma proposta que nos leva ao abstracionismo, a falta de cumplicidade com o mundo real e concreto, das cores e não só das sombras. Mas isso requer responsabilidades. Fugimos. Mas, Fugimos de que? Da responsabilidade?
Talvez.
Desde cedo nos foi colocado que responsabilidade é algo muito pesado, onde somente os mais fortes, os mais preparados, podem assumir. Nós não fomos criados para ser forte, muito menos preparado. Vamos afundando na nossa própria caverna.

“Em alguma medida os demais mitos estão contidos neste e seus significados são extensos e magistrais. A caverna serviu para Platão antecipar-se em milênios e meio a uma realidade que hoje tem absoluta vigência e que volta a encontrar o homem ante o enigma, esgotada a razão, extraviada a via da verdade, limitada desde sua mesma origem toda a intuição pelo raciocínio positivista.” 3

Precisamos sair do fundo da caverna. Construir novas possibilidades, aos poucos, com tranqüilidade, até para que a luz não nos cegue, mas vamos, não precisamos mais usar de desculpas para protelar esse momento, até porque somos deuses, e se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda poderemos mover montanhas. (Jesus)
Então porque duvidar de nossa capacidade.
Há um mundo colorido lá fora!


1, 2, 3 - (Francisco Duque – Nova Acrópole, Caderno de Cultura, nº 48 – ano XII, pág. 25)






 

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